Roubos e furtos de bicicletas caem 9% no Estado de São Paulo, mas ficam estáveis na capital

Registros envolvendo bicicletas elétricas e autopropelidos crescem 19% no Estado em 2025, segundo levantamento da Aliança Bi

O Estado de São Paulo registrou 15.716 ocorrências de roubos e furtos de bicicletas convencionais em 2025, uma redução de 9% em relação ao ano anterior. Os dados fazem parte do relatório Roubos e furtos de bicicletas no Estado de São Paulo e na cidade de São Paulo (2018-2025), produzido pela Aliança Bike a partir de registros de boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo.

As ocorrências registradas envolveram a subtração de 17.162 bicicletas. A diferença entre os dois números ocorre porque um mesmo boletim pode registrar mais de uma bicicleta roubada ou furtada.

Na cidade de São Paulo, foram contabilizadas 3.347 ocorrências em 2025, apenas 1% abaixo do número registrado em 2024. O resultado indica uma estabilidade na capital, em contraste com a redução observada no conjunto do Estado.

O relatório foi apresentando nesta quarta-feira, 23 de setembro, em um Webinário no canal da Aliança Bike no Youtube.

“Este levantamento é um ponto de partida para ampliar o debate e pensar em soluções que tornem as cidades mais seguras para pedalar”, afirma Luiz Saldanha, diretor-executivo da Aliança Bike. “Os números do boletim devem ser vistos como uma base para explorar outras localidades, situações e contextos, e estimular a produção de conhecimento sobre segurança para ciclistas. Tudo isso, sem deixar de considerar as subnotificações.”

Confira outros dados do setor publicados pela Aliança Bike

Os furtos representaram 89,1% dos registros no Estado, enquanto os roubos corresponderam a 10,9%. As vias públicas foram o principal local de ocorrência, concentrando 55,4% dos casos. Na sequência aparecem residências, condomínios, chácaras e sítios, com 17,8%, e estabelecimentos comerciais, shoppings, escritórios, restaurantes, hotéis e estacionamentos particulares, com 12,5%.

Estabilidade nas bicicletas convencionais

roubos e furtos bicicletas sp

Rodrigo Del Claro, do Clube Santuu, destaca que os números do boletim refletem uma tendência observada no mercado de seguros. “Na nossa carteira, a frequência de roubos e furtos de bicicletas tradicionais se mantém ao longo dos anos. De cada 100 seguros que eu tenho, uma proporção constante registra sinistro e isso não mudou”, diz o empresário em Webinário de Lançamento do Relatório.

Segundo ele, bicicletas de menor valor costumam estar mais presentes em deslocamentos cotidianos e podem ficar expostas em locais públicos, enquanto equipamentos de maior valor têm padrões diferentes de circulação e armazenamento. “Quando olhamos apenas para os números gerais, não conseguimos entender todas as nuances. O comportamento muda de acordo com o tipo e o valor da bicicleta”, complementa.

Bicicletas elétricas exigem atenção

O levantamento também analisou os registros envolvendo bicicletas elétricas e autopropelidos. Em 2025, foram contabilizadas 221 ocorrências no Estado de São Paulo, crescimento de 19% em relação a 2024. Esses registros envolveram a subtração de 713 veículos.

Na cidade de São Paulo, foram registradas 78 ocorrências envolvendo bicicletas elétricas e autopropelidos, uma redução de 10% em relação ao ano anterior. O cenário da capital, portanto, foi diferente do observado no restante do Estado.

José Mario Barbosa, da Aride, chama atenção para a diferença entre o número de ocorrências e a quantidade de equipamentos subtraídos. “Quando analisamos a quantidade de itens subtraídos, pode haver distorções provocadas por ocorrências em que vários equipamentos são levados de uma só vez”, afirma. Essa observação dialoga diretamente com o boletim, que registrou 221 ocorrências, mas contabilizou 713 veículos subtraídos.

Segundo Barbosa, o crescimento dos equipamentos elétricos mostra que esse modo está se consolidando, mas também traz novos desafios de segurança, registro e orientação aos usuários. “O modal elétrico está ganhando espaço em relação ao convencional. Em Niterói, por exemplo, os equipamentos elétricos passaram de 5% dos que transitavam na ciclovia em 2022 para 55% em 2025”, diz.

Rodrigo Del Claro reforça que a mudança no perfil da mobilidade já é percebida nas operadoras de seguro. “Para a mobilidade elétrica, a frequência de sinistro, seja de roubo e furto, seja de acidente, está aumentando bastante. Hoje, mais da metade dos meus sinistros são de bikes elétricas”, afirma.

As vias públicas também foram o principal local desses crimes no Estado, com 41,6% dos registros. Residências e condomínios responderam por 29,9%, enquanto estabelecimentos comerciais e estacionamentos particulares concentraram 22,2%.

Concentração na cidade de São Paulo

Entre as bicicletas convencionais, as regiões Sul, Leste e Oeste apresentaram as maiores participações nos registros da capital, com 24,3%, 24,1% e 22,4%, respectivamente.

Os cinco distritos policiais com maior número de ocorrências foram:

  • 36º DP, na Vila Mariana: 153 registros.

  • 14º DP, em Pinheiros: 130 registros.

  • 15º DP, na região do Itaim: 116 registros.

  • 78º DP, nos Jardins: 108 registros.

  • 3º DP, em Campos Elíseos: 103 registros.

Juntos, esses cinco distritos concentraram 18,2% das ocorrências de roubos e furtos de bicicletas convencionais na cidade.

Entre as bicicletas elétricas e autopropelidos, o 77º DP, em Santa Cecília, registrou o maior número de ocorrências, seguido pelo 31º DP, na Vila Carrão, e pelo 12º DP, no Pari.

Prevenção e papel das lojas

Duilly Cicarini, da Bike Hero, defende que as lojas participem mais ativamente da prevenção. Para ele, orientações sobre travas, locais de estacionamento, documentação, número de série e seguro devem fazer parte da conversa entre lojista e consumidor antes da entrega do equipamento.

“O lojista tem um papel fundamental na prevenção. A orientação precisa chegar ao consumidor antes que o roubo ou o furto aconteça”, afirma. Segundo Cicarini, a predominância dos furtos e a quantidade de ocorrências em locais de guarda mostram que é preciso orientar o ciclista sobre como proteger a bicicleta quando ela está estacionada ou guardada.

“A nota fiscal e os documentos da bicicleta são fundamentais. Eles ajudam a comprovar a propriedade e podem facilitar o atendimento e a recuperação do equipamento”, complementa.

Dados apoiam políticas públicas

Para a Aliança Bike, os registros devem ser utilizados como base para o desenvolvimento de políticas públicas de segurança, prevenção e proteção patrimonial para ciclistas e usuários de veículos de micromobilidade.

“Este relatório reafirma nosso compromisso em produzir informações qualificadas para apoiar empresas, gestores públicos e a sociedade na construção de políticas de segurança mais eficazes para ciclistas”, diz Luiz Saldanha, diretor-executivo da Aliança Bike.

A Aliança Bike ressalta que o levantamento considera apenas os crimes formalmente registrados em boletins de ocorrência. Dessa forma, os números podem ser inferiores à quantidade real de roubos e furtos, já que parte das vítimas não registra o crime.

O relatório completo está disponível em [aqui].

Sobre a Aliança Bike

A Aliança Bike — Associação Brasileira do Setor de Bicicletas — atua desde 2009 para fortalecer a economia da bicicleta e ampliar seu uso no Brasil como meio de transporte, esporte, turismo, lazer e logística. A entidade reúne mais de 200 empresas e organizações associadas, incluindo fabricantes, distribuidores, importadores, redes varejistas, operadores de cicloturismo e ciclologística, seguradoras e outros segmentos relacionados ao setor.

 

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