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Circuito Interparques começa a sair do papel com sinalização e mobilização comunitária

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Trilha de longo curso na Zona Sul de São Paulo se prepara para sua estruturação definitiva

O início de 2023 marcará uma nova fase para o Interparques, a trilha de longo curso que está sendo estruturada na Zona Sul da cidade de São Paulo. A partir de janeiro, a coordenação do projeto vai reunir os grupos de trabalho definidos pela portaria 222 da Secretaria de Governo Municipal e iniciará os contatos com as comunidades que estão próximas do circuito. “O objetivo é trazer o pessoal que anda nessa região para dar opiniões e mudar o traçado, porque entendemos que se a comunidade não abraçar, não se sentir proprietária da trilha, a gente vai ter dificuldade”, avalia Marcelo Mendonça, coordenador dos Parques Naturais, ligado à Secretaria do Verde e Meio Ambiente (SVMA).

Há um tempo já existe o esboço do Interparques que surgiu com a proposta de conectar dez unidades de conservação para incentivar o ecoturismo e o cicloturismo na região, aliado ao desenvolvimento social e econômico das comunidades do entorno surgiu com a proposta de conectar dez unidades de conservação para incentivar o ecoturismo e o cicloturismo na região, aliado ao desenvolvimento social e econômico das comunidades do entorno. Os levantamentos iniciais da área permitiram o traçado de uma rota de aproximadamente 170 quilômetros, que passam pelos parques Bororé, Varginha, Itaim, Jaceguava, Várzea do Embu-Guaçu, Cratera de Colônia e Curucutu, além de Áreas de Proteção Ambiental (APAs) ligadas aos distritos de Parelheiros e Marsilac.

O envolvimento com as comunidades locais vai além do despertar do sentimento de pertencimento em relação à trilha. Serão oferecidas, por exemplo, oficinas de sinalização de onde se espera que saiam voluntários para auxiliar na infraestrutura do circuito. O Sebrae também participará do processo para capacitar as pessoas que queiram criar ou ampliar seu negócio em função do aumento da circulação de turistas e ciclistas na região com serviços de apoio como oficinas, campings e comércio em geral.

Por enquanto, apenas os 17 quilômetros iniciais do Interparques estão devidamente sinalizados, o que corresponde ao trecho que vai da balsa até o parque de Varginha. Só que a sinalização terá de ser refeita no parque Bororé porque houve uma mudança de rota. “A gente não estava prevendo o trecho interno, apenas entrava, ia até a sede e voltava, só que o gestor de lá está preparando trilhas internas”, explica Marcelo, ressaltando sua preferência pelas passagens nos parques e APAs em vez das vias em que carros e caminhões dividem o espaço com turistas e ciclistas.

Com base nessa premissa, trechos do traçado original podem ser redirecionados com a entrada em campo dos grupos de trabalho. Ao todo, 20% dos 170 km da trilha do Interparques estão asfaltados. “Mas pode ser que alguns trechos venham a ser asfaltados futuramente”, adverte Marcelo justificando sua preferência pelo circuito cortando parques e APAs.

Outros trechos, no entanto, devem receber melhorias, como os 7 km  da linha de trem de Parelheiros que estão desativados e que têm dois pontos de alagamento perenes. A ideia é resolver esse problema com um sistema de irrigação para tornar a trilha viável e, assim, evitar que o desvio seja feito por uma parte de asfalto.

Do jeito que está, o Interparques já pode ser percorrido por ciclistas com um arquivo que Marcelo disponibiliza aos interessados, que norteia o percurso, mas um aplicativo oficial está planejado para ser lançado oficialmente. E essas pessoas também podem se juntar aos grupos de trabalhos e às comunidades tanto no auxílio na redefinição dos trechos quanto no voluntariado de  sinalização da trilha, que pode ficar pronta no final de 2023 se cumpridas as expectativas. O e-mail para entrar em contato com a coordenação é trilhainterparques@gmail.com. O cicloturismo agradece.

Paulo Cabral

Paulo Cabral é jornalista formado pela Universidade de Brasília com anos de experiência em rádio, TV e revistas. Ciclista de passeio, acredita na bicicleta como forma de ocupação sustentável e democrática das cidades.