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Expectativas para o Cape Epic e Brasil Ride 2021

Por 16 de outubro de 2021Bicicleta News, Esporte
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As grandes maratonas de MTB estão de volta. O calendário 2021, no entanto, está bem diferente. Sempre realizado em março na África do Sul, o Cape Epic deste ano começará em 17 de outubro, o que acabou empurrando mais para frente a realização da Brasil Ride que começará em 07 de novembro.

Outra grande mudança em relação a 2019, última edição das duas provas, aconteceu na lista de atletas. Ainda sob efeito da pandemia, as viagens internacionais seguem com diversas restrições, o que fez com que muitos dos participantes de outras edições optassem por um calendário pessoal mais doméstico, ou no mínimo mais europeu.

Cape Epic e Brasil Ride são provas do calendário da UCI de XCM, então sofreram problemas parecidos. Para entender o que mudou na grande prova nacional por etapas e uma das grandes do calendário do MTB mundial, conversamos com Rafael Campos, diretor técnico da Brasil Ride.

Expectativas da organização para a Brasil Ride 2021

Rafael Campos, diretor técnico da Brasil Ride. Foto Ney Evangelista / Brasil Ride

Desde a primeira edição em 2010, nunca houve interrupção na realização da Brasil Ride. Com a pandemia, ficaram um ano inteiro parados. Rafael resume essa volta da seguinte maneira:

Com uma logística complexa, com muitos detalhes dá até frio na barriga de retomar tudo. É como fazer a prova novamente pela primeira vez.

Como parte do calendário oficial de corridas da UCI, a Brasil Ride precisou negociar uma data junto à entidade máxima do ciclismo mundial. Uma conversa que vem desde abril deste ano.

Prova de destaque no calendário UCI de MTB, a Cape Epic acabou postergando a Brasil Ride. Em tempos de pandemia, foi um adiamento muito bem vindo, dando mais tempo para que a pandemia estivesse mais sob controle.

Atletas em destaque na Brasil Ride 2021

Tiago e Hans, campeões da 10ª edição
Foto: Fabio Piva / Brasil Ride

A quantidade de estrangeiros entre os participantes está menor. O medo de participar, e correr o risco de ter de cumprir quarentena de 14 dias ao chegar ou sair do Brasil, é um dos motivos. Ainda assim, a qualidade dos estrangeiros confirmados para disputar a prova não diminuiu.

Grandes destaques internacionais estarão presentes. O português Tiago Ferreira, que já correu 5 vezes a prova, é o atual campeão, vem defender o título ao lado holandês Hans Becking. Também português, José Dias vem ao Brasil depois de conquistar a quarta colocação no mundial de XCM.

Do Brasil, Alex Malacarne é a estrela em ascensão. Sem a participação de Henrique Avancini, atual vice-campeão, os jovens talentos da sua equipe estarão presentes e são outro destaque brasileiro.

Para acompanhar toda a prova, haverá transmissão diária ao vivo pelo canal oficial no Youtube. Haverá, ainda, um resumo diário em vídeo para todos os dias de prova. 

Histórico da Brasil Ride

Foto: Brasil RIde/Divulgação

No princípio, não existia prova por etapas no Brasil. Os dois primeiros anos foram de formação de cultura e também para mostrar que era possível realizar um evento de grandes proporções. O desafio era mostrar que era possível. Eram poucos brasileiros, mas os estrangeiros viram oportunidade de viajar para o Brasil.

Já na quinta edição, surgiu a comparação de que a Brasil Ride era Giro d´Italia do MTB, com o Cape Epic sendo o Tour de France. Com esse destaque através da imprensa internacional, os organizadores optaram por investir na comunicação através das mídias sociais para atingir um maior número de entusiastas. Chamar a atenção dos fãs, além dos atletas.

A mudança para Arraial d´Ajuda também contribuiu para aumentar a participação internacional. Em 2019, na última edição, o número de estrangeiros foi recorde. A proximidade com Porto Seguro facilitou muito a logística de quem vinha de fora. A rede hoteleira e o aeroporto com voos regulares facilitaram muito na comparação com a Chapada Diamantina, onde tudo começou.

O preço das inscrições, mais baixo que o Cape Epic, durante os primeiros anos foi um fator que afastou os atletas estrangeiros. Quem comparava, euro por euro, tinha a ideia (errada) de que o serviço e apoio prestados aos atletas seria de pior qualidade na Brasil Ride. Esse mito foi desfeito através do boca a boca entre os participantes internacionais. Mesmo cobrando um valor baixo, para o padrão europeu, a Brasil Ride se mostrou capaz de atender a expectativa dos atletas acostumados com as provas no velho continente.

A capacidade de organização construída ao longo dos anos no Brasil possibilitou inclusive que a prova se expandisse para a Europa. Em maio de 2022, a marca Brasil Ride chega na Europa com objetivo de ser a maior prova de MTB por etapas do continente.

Novos ciclistas no pós-pandemia

O momento atual trouxe mais gente para a bicicleta e com mais gente circulando, a participação nas provas regionais cria expectativa para uma prova maior. Justamente um evento nos moldes da Brasil Ride, com mais destaque e visibilidade internacional. 

Mesmo sem a realização de provas durante a maior parte dos últimos meses, a Brasil Ride aproveitou a pandemia para aumentar sua presença e alcance nas plataformas digitais. Sendo uma prova no “topo da pirâmide”, voltada para atletas profissionais de alto rendimento, foi necessária uma busca por construir opções mais atraentes aos novatos, 

O Festival Brasil Ride é parte desse esforço, inclusive com categoria kids, não competitiva. O conceito central é atender toda a cadeia esportiva. Os atletas não competitivos, os que começaram agora e os que já dão conta de competir grandes distâncias.

Como a Brasil Ride buscou sobreviver à pandemia

Brasil Ride 2019. Foto: Divulgação

Em março de 2020 a impressão geral era que haveria apenas atrasos no calendário de provas e alguns eventuais cancelamentos. Acabaram gastando energia para deixar tudo pronto para a realização das competições, mas os constantes adiamentos se tornaram apenas um trabalho extra que se transformou em cancelamentos. 

Foi um período dolorido com direito a eleições municipais no meio. Com as mudanças de gestão, aproveitaram para refazer e reavaliar relacionamentos e parcerias com prefeituras. Com a diminuição das restrições por conta da pandemia, 2021 foi a hora de restruturar.

Agora, o fim de ano será bem intenso. Só em 2021, tiveram a realização do Festival e ainda restam mais quatro provas até dezembro. Além do Brasil Ride na Bahia, tem a Brasil Ride na Serra do Espinhaço, uma prova de gravel e uma de corrida de montanha, as duas últimas em Botucatu, SP. 

Foram tempos ruins, mas agora estão voltando com tudo. Para o ano que vem a meta é manter o leque de ações e oferecer muita qualidade aos participantes.

Cape Epic 2021 o desafio está de volta

Nino Schurter e Lars Forster, na última etapa da Cape Epic 2019. Foto: Dwayne Senior/Cape Epic

Depois do mundial de Maratona Cross Country (XCM) no começo de outubro os fãs do esporte estão na expectativa para a realização de uma das mais tradicionais maratonas de longa duração. A Cape Epic acontece entres os dias  17 e 24 de outubro e vai ser bem diferente das últimas edições.

A primeira mudança, relacionada à época do ano, está no regime de chuvas. Março costuma ter trilhas bem secas, com muita poeira. Outubro é bem diferente, com grandes possibilidades de chuva nos dias de prova. Serão 619 quilômetros a serem cumpridos em oito dias, com 15.250 metros de subida acumulada. Mas dessa vez com um provável toque de lama.

Outra grande diferença será o número de atletas. O número médio costuma girar em torno de 600 equipes e cerca de 1300 ciclistas. Para 2021 serão 250 equipes e 500 ciclistas. A participação internacional também diminuiu bastante. Em anos anteriores, entre 45-50% dos competidores vinha de fora da África do Sul, agora serão em torno de 25%.

A dupla Alex Malacarne e Christoph Sauser Foto: Michal Cerveny/Divulgação

Duas grandes ausências dão o tamanho do impacto da pandemia nesta edição. A equipe campeã em 2019, a Scott-Sram de Nino Schurter e Lars Forster, não estará presente. Os grandes rivais, com a segunda colocação na última edição da Cape Epic, também não irão participar. Henrique Avancini optou por não prestigiar a prova depois que seu tradicional parceiro de Cape Epic, o alemão Manuel Fumic, teve uma fratura que o deixou de fora.

Mesmo sem a grande disputa de 2019, a prova certamente deverá trazer muita emoção. O talento do estreante brasileiro Alex Malacarne estará ao lado do suiço Christoph Sauser que tem cinco vitórias na Cape Epic no currículo. 

Para acompanhar a Cape Epic 2021, basta uma boa conexão com a internet. A transmissão será feita ao vivo diretamente pelas redes oficiais da prova

O equipamento perfeito para uma ultramaratona de MTB

O vídeo é de 2018, mas os desafios de encarar dias de prova na terra continuam os mesmos. Encarar uma maratona por dia exige enorme esforço de atletas e equipamentos. Com o detalhe que os próprios atletas precisam consertar suas bicicletas em caso de defeito ou pneus furados, nada de intervenção de mecânicos durante o trajeto. 

Suspensão dianteira e traseira é o equipamento padrão. Mas diante da necessidade de pequenos reparos, as bicicletas costumam ter algumas adaptações para provas como a Cape Epic e Brasil Ride.

Foto: Michal Cerveny / Scott

Ferramentas vão “escondidas” por toda a bicicleta, nos canotes e até mesmo no movimento central. Mas uma grande necessidade é um medidor de potência ligado ao GPS, um pouco mais de peso, mas um importante acessório para que o atleta saiba quanto de energia pode despejar para andar na frente, mas não se acabar antes do fim da prova.

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