Jan-Willem van Schip: o ciclista aero que desafia as regras da UCI
O ciclista neerlandês Jan-Willem van Schip, de 31 anos, da equipa Azerion/Villa Valkenburg, protagonizou um final de prova tumultuado na Ronde de l’Oise, em França. Foi a terceira desqualificação em menos de um ano da União Ciclística Internacional (UCI).
Os comissários da UCI decidiram desqualificar Van Schip por “utilização de vestuário não conforme”, aplicando-lhe ainda uma multa de 200 francos suíços (cerca de 218 euros). Contudo, o ciclista ignorou a ordem para parar, forçando a intervenção das autoridades presentes no percurso para fazer cumprir a decisão.
As invenções aero do ciclista que desafiam a UCI
Not a single year passes without Jan-Willem van Schip taking the piss out of the UCI rules LOL. 🤣 What a legend. pic.twitter.com/gtleNDyU27
— Mihai Simion (@faustocoppi60) October 15, 2025
Van Schip é conhecido pelas suas posições aerodinâmicas extremas e têm estado na mira dos comissários da UCI por serem consideradas perigosas ou contrárias aos regulamentos. O especialista em pista e estrada utiliza um cockpit (frente da bike) muito estreito e aerodinâmico que lhe permite pedalar com uma postura extremamente agressiva enquanto mantém as mãos segurando as manetes. O problema, todavia, é que essa posição é interpretada pelos juízes como algo ilegal. A regra proíbe que os ciclistas apoiem os antebraços no guidão.
A sua busca obsessiva por eficiência aerodinâmica inclui quatro configurações polêmicas:
A guerra aberta com a UCI: seis desqualificações desde 2021
Esta não foi a primeira infração do neerlandês na mesma competição francesa. Já na segunda etapa da Ronde de l’Oise, Van Schip tinha sido penalizado com multa de 200 CHF e perda de cinco pontos UCI por “utilizar uma posição ou ponto de apoio não conforme na bicicleta que representa perigo para o ciclista ou concorrentes”. Devido à sua recusa em parar na última etapa, a UCI aplicou-lhe multa adicional de 109 euros por desrespeito às “instruções do organizador ou dos comissários”.
O histórico de desqualificações do ciclista:
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2021: Expulso do Baloise Belgium Tour por guidão Speeco não conforme
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2023: Desclassificado na Heistse Pijl por outro cockpit experimental
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2024: Desqualificado do Mundial de pista por “conduta imprópria” e gestos obscenos contra juízes
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2025 (outubro): Excluído do Tour dos Países Baixos por selim inapropriado
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2026 (maio): Expulso do Tour of Hellas (Grécia) por posição nos antebraços
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2026 (junho): Terceira punição em menos de 1 ano — Ronde de l’Oise (França)
“Não me sinto bem-vindo no ciclismo”
A sanção provocou uma explosão de frustração do neerlandês. “Outra vez me desclassificaram. Isso não é normal”, começava dizendo em vídeo publicado nas redes sociais. Depois questionou directamente a aplicação do regulamento e denunciou diferenças de critério entre corridas: “Como pode ser que eu possa correr assim em uma prova UCI e aqui não?”.
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Van Schip também defendeu que esse tipo de posições é visto habitualmente dentro do pelotão e assegurou que mantém sempre as mãos em contato com o guidão: “Todo mundo faz isso e eu sempre agarro completamente as manetes”.
O episódio mais recente na Ronde de l’Oise marcou a sua terceira desqualificação em menos de um ano. Na fase final da etapa, Van Schip atacou e colocou a garrafa de água debaixo da camisa. O júri passou imediatamente por ele e o ciclista perguntou: “A minha posição na bicicleta está correta agora?” O comissário “perdeu completamente a cabeça”. Só depois foi dito que foi desclassificado por transportar caramanholsa sob a jersey.
Van Schip até pediu uma reunião privada com a UCI para entender exatamente o que está permitido e o que não está dentro de normas. Segundo ele, as regras são muito interpretativas. “Dói muito. Realmente não é divertido”, assegurava antes de lançar a frase mais contundente: “Não me sinto realmente bem-vindo no ciclismo”.
O Gravel pode ser a saída

O gravel, com regulamentos muito mais abertos e menos restritivos em relação a posições e material, começa a parecer cada vez mais um destino lógico para um dos ciclistas mais obcecados em explorar os limites da aerodinâmica.
Van Schip, que mede 1,94 m, acumulou logros como Campeão europeu de Madison (junto a Yoeri Havik) e ouro mundial em scratch (2019). Entretanto, sua busca do limite entre o permitido e o proibido o tem posto repetidamente frente à UCI.
Seu enrosco com a UCI relembra outro antigo caso da entidade. Graeme O’Bree tentou de todas as formas revolucionar o esporte, principalmente nas tentativas do Recorde da Hora. Contudo, também foi inúmeras vezes coibido pela UCI. A história do ciclista foi retratada no filme “O Escocês Voador“. Será que Van Schip também sonha com as telonas?
