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Um panorama do mercado de seguros de bicicleta no Brasil | Bicicleta News Especial

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Quem sai hoje de casa para pedalar no Brasil, provavelmente não conta com nenhuma cobertura de seguro. Das milhões de bicicletas nas casas brasileiras, apenas cerca de 100 mil estão protegidas. Todas as demais contam apenas com o seguro obrigatório dos carros, o DPVAT, como proteção em caso de acidentes envolvendo veículos motorizados.

Mesmo para automóveis, a penetração de mercado é ainda pequena. As seguradoras estimam que 30% dos carros brasileiros estejam segurados. Já os celulares, um setor bem mais recente, são cerca de 16% os aparelhos protegidos.

Atualmente o mercado de seguro de bicicletas tem um tamanho estimado em R$ 60 milhões. Com menos de 1% das bicicletas brasileiras em seus portfólios, as seguradoras e corretores que pensam em bicicleta enxergam o mercado como um grande oceano azul a ser navegado. E a expansão recente confirma que há muito espaço para crescimento.

Histórico do mercado de seguros de bicicletas no Brasil

A SUSEP, Superintendência de Seguros Privados, é quem regula o mercado de seguros no Brasil. De acordo com a classificação oficial, as bicicletas se enquadram na categoria de “seguro de riscos diversos”. Nesse bolo entram toda espécie de coberturas fora dos ramos tradicionais. De cobertura contra alagamentos e derramamento de água em equipamentos, até máquinas agrícolas ou da construção civil.

Normalmente, a bicicleta com proteção era aquela que entrava na cobertura de um seguro domiciliar. Assim, a proteção efetiva para a magrela ficava bem aquém das necessidades dos ciclistas.

Outra possibilidade de proteger as bicicletas eram as apólices para os modelos mais caros. Geralmente modelos esportivos com valores na casa das dezenas de milhares de reais. Um mercado exclusivo e bem pequeno.

A popularização do seguros para bicicletas

O crescimento do mercado de bicicletas no geral, antes mesmo da pandemia, se traduziu na expansão na venda de apólices, mas também na criação de novos produtos.

Depois de muitos anos sendo tratado como apêndice, ou produto de nicho, o seguro de bicicletas tem ganhado uma importância cada dia maior. Corretores e seguradoras passaram a ver a qualidade do cliente ciclista. Além do bolso mais fundo dos ciclistas com equipamentos de alto rendimento, o score de crédito e o perfil de segurado dos demais também representaram uma qualidade única.

Um exemplo de expansão do mercado é a ProCapital, corretora paulistana que atua com produtos para pessoas físicas, empresas e também com proteções específicas para profissionais liberais.

O primeiro seguro de bicicletas da ProCapital foi em 2017, de lá pra cá, dois fatores mexeram com o mercado e ajudaram para que o seguro de bicicleta ganhasse mais tração. A chegada de grandes empresas do varejo de seguros, a Porto Seguro sendo um grande exemplo e a diminuição do valor mínimo da bicicleta, pioneirismo da Argo Seguros.

Com um tíquete médio por bicicleta de R$ 18 mil até antes da pandemia, a carteira de clientes da ProCapital, ilustra o alto poder aquisitivo dos clientes tradicionais. A maioria são empresários (12%), advogados (7%) e administradores (6,5%), engenheiros (4,5%) e médicos (3,9%) completam a lista. Mesmo sem fazer mais prospecção ativa, manter o seguro de bicicletas no portfólio vale a pena. Seja pelo “cross sell” de outros produtos ou para manter a fidelidade de um público qualificado.

Inovação e produtos feitos por ciclistas e para ciclistas

A diversificação do mercado é outra consequência do crescimento na oferta de seguros. O diferencial passou a ser importante e, principalmente, o foco em produtos que atendam as necessidades reais dos ciclistas.

Consultora para todas as seguradoras que vendem seguros de bicicleta no Brasil hoje, a Santuu é uma das forças no desenvolvimento de opções melhores e mais adequadas para quem pedala. De olho no crescimento e ganho de escala do mercado, trouxeram o valor mínimo das bicicletas seguradas de R$ 3.000 para R$ 1.000. Com isso, incorporaram como potenciais clientes a maioria das bicicletas vendidas hoje no Brasil. Esse número se confirma com a distribuição de clientes, 90% da carteira hoje é de ciclistas com bicicletas abaixo dos R$ 3.000.

Com mais de 20 mil clientes na carteira, o grande diferencial da Santuu está no olhar para o ciclista. A principal preocupação de quem pedala e contrata um seguro são os roubos e furtos, mas na prática, os clientes acionam o seguro por conta de acidentes. Seja um tombo leve que entorta uma roda, ou o motorista que esqueceu que a bicicleta está no rack do carro e bate a magrela ao entrar na garagem.

Outra inovação recente no mercado de proteção envolve o monitoramento, tanto de atletas, mas também das bicicletas. Com foco no atendimento ao ciclista, a Aride transportou a experiência no monitoramento de ativos (carro, caminhão, helicóptero) para o monitoramento de ciclistas. No pool de produtos, o seguro vem junto com a experiência de suporte, inclusive com o apoio através de um botão de pânico em caso de necessidade.

A experiência da Aride vai além do serviço do Strava, que acompanha e compartilha o pedal dos usuários que pagam por isso. Através do serviço brasileiro, quem pedala tem acesso a assistência 24h dedicada, inclusive com a possibilidade de resgate em emergências. O seguro torna-se muito mais que uma oportunidade de cobertura de riscos, mas um serviço de assinatura focado nas necessidades de ciclistas.

Também com um olhar na inovação, a iNeeds, especializada no desenvolvimento de soluções em serviços de logística e última milha, investe na telemetria de bicicletas. Uma solução ainda em desenvolvimento, mas que atenderia a necessidade por saber a localização das magrelas, de pessoas ou frotistas.

Crescimento de mercado, sem seguro obrigatório

Com a popularização das bicicletas elétricas, agentes reguladores já estão de olho nos riscos. Na União Européia houve inclusive a possibilidade de obrigar ciclistas a contratarem um seguro obrigatório para suas elétricas. Felizmente a ideia saiu de cena. Afinal, nem mesmo o próprio mercado de seguros considera a obrigatoriedade um bom caminho. Afinal, na prática, mesmo as elétricas representam um risco mínimo para as pessoas e outros veículos no entorno. 

Seguros de bicicleta, com um olhar em quem pedala, têm muito a crescer e a oferecer aos ciclistas. Seja no contexto global ou no Brasil, o maior incentivo para a consolidação do mercado estão nos novos ciclistas e na inovação. 

Quem acompanha o mercado nacional já cravou números muito positivos. Ainda pequeno, os seguros de bicicleta no Brasil cresceram 5 vezes de 2020 até agora. A previsão é que no ano que vem possam crescer 10 vezes. Um bolo maior de clientes e de produtos se traduzirá em vantagens para ambos os lados, com um volume financeiro maior para quem vende e preços menores para quem compra.

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