Conheça o Perfil dos Cicloturistas do Brasil

Terceira edição da pesquisa "Cicloturistas do Brasil" traz novos números e painel interativo sobre os cicloviajantes

relatório geral da pesquisa “Cicloturistas do Brasil 2025” foi divulgado oficialmente, apresentando os resultados da 3ª edição do maior levantamento sobre cicloturismo do Brasil. Com 1.688 respostas válidas, a pesquisa supera as edições anteriores de 2008 (302 respondentes) e 2018 (1.196 respondentes), consolidando a série histórica e atualizando o panorama da demanda por cicloviagens no país.

A iniciativa foi coordenada pelo Observatório do Cicloturismo – Instituto Planett, em parceria com a RBOT (Rede Brasileira de Observatórios de Turismo)Aliança Bike e Rede Brasileira de Trilhas, com coleta de dados entre 25 de agosto de 2025 e 6 de março de 2026.

Relatório disponível online

Relatório Geral está disponível no Observatório do Cicloturismo. No página também está disponível um painel interativo onde é possível observar os dados e cruzar informações, criando uma infinidade de combinações. “Esse painel permite propor inúmeros olhares diferentes sobre os resultados da pesquisa, ampliando de forma técnica e sustentada o debate sobre o tema”, afirma Luiz Saldanha, diretor-executivo da Aliança Bike, responsável pelo relatório.

Com a publicação, pretende-se condução de novas rodadas de ações e debates sobre os resultados entre observatórios, pesquisadores e especialistas junto às instituições parceiras. Será possível aprofundar e disseminar, com publicações complementares, sobre temáticas específicas e recortes regionalizados dentro do contexto do cicloturismo brasileiro.

Principais dados revelados no relatório

1) Perfil sociodemográfico dos respondentes

Dimensão Dado principal
Gênero 68,2% masculino, 31,5% feminino, 0,3% outros
Faixa etária predominante 45-49 anos (17,5%), 50-54 anos (15,6%), 40-44 anos (13,8%)
Região de residência Sudeste (39%), Sul (36,8%), Nordeste (9,5%), Norte (7,9%), Centro-Oeste (6,8%)
Escolaridade 41% pós-graduação, 38% ensino superior, 19% ensino médio
Renda familiar 28% entre 6-9 salários-mínimos, 19% entre 3-6 SM, 18% acima de 12 SM
Estado civil 61,7% casados, 25,4% solteiros, 11,7% divorciados

2) Três categorias de cicloturismo identificadas

A pesquisa consolidou que o cicloturismo pode ser dividido em três grandes categorias:

Categoria Definição
Excursionismo Uso recreacional dentro da região de residência, duração menor que um dia
Ciclismo em férias Atividades com bicicleta integrantes de conjunto de atividades em viagem, duração menor que um dia
Cicloviagens Viagens com pernoite utilizando a bicicleta como principal modo de transporte

Os objetivos específicos incluíram: (a) compreender dinâmicas entre categorias distintas; (b) identificar perfil sociodemográfico e hábitos de uso cotidiano; (c) identificar demanda reprimida para realização do cicloturismo.

3) Consumo de bicicletas: público diversifica aquisições

Novidade no questionário, este bloco de perguntas é inspirado na pesquisa Perfil do Ciclista de Montanha no Brasil (Ciclotrilhas Floripa, 2020) e tem objetivo de compreender comportamento em relação ao consumo e propriedade de bicicletas.

Dados relevantes:

  • 71,9% dos respondentes possuem entre 1 e 2 bicicletas

  • 12,0% possuem 4 ou mais bicicletas, evidenciando segmento de alto grau de envolvimento

  • 30,7% possuem Mountain bike junto com ao menos outro tipo de bicicleta

O perfil que emerge é de um público que não apenas pedala, mas, sobretudo, diversifica aquisições conforme diferentes contextos de uso: trilha, estrada, cidade e cicloviagem.

Histórico: 10 anos entre primeiras edições

primeiro levantamento sobre quem viaja de bicicleta pelo Brasil foi realizado em 2008 (Paupitz), em parceria com o Clube de Cicloturismo do Brasil. Com amostra de 302 respondentes (70% declararam realizar viagens por bicicleta dentro ou fora do Brasil), a pesquisa permaneceu como principal fonte de informações durante 10 anos, período da primeira onda de rotas de cicloturismo implementadas no Brasil — especialmente em Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo.

Cicloturista Brasileiro 2018, com 1.196 respondentes, foi fundamental para orientar sobretudo o novo momento da atividade, sendo amplamente utilizado como referência em pesquisas acadêmicas, estudos de mercado e editais públicos. Serviu como instrumento durante a segunda onda de rotas de cicloturismo, potencializada após 2019 pela consolidação da Rede Brasileira de Trilhas e pela pandemia.

Portanto, um movimento importante garantiu que o hiato para a terceira edição não se estendesse até 10 anos.

Desdobramentos: próximas pesquisas estratificadas

Com a apresentação dos primeiros resultados no X Encontro RBOT de Macapá (2026), o próximo passo todavia está na condução de pesquisas dedicadas e estratificadas para possibilitar ainda mais a capilarização e transversalidade do tema entre os observatórios da Rede.

Esta iniciativa promove diretamente as diretrizes específicas do objetivo “C10. Cicloturismo”, do “Eixo C – Bicicleta Movimenta a Economia” da Estratégia Nacional de Promoção da Mobilidade por Bicicleta (Enabici).

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