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Macaé ganha 900 paraciclos e foca na mobilidade em bicicleta

Pedalar por Macaé, no Rio de Janeiro, sempre foi um hábito corriqueiro tanto para os moradores quanto para os visitantes. Não era à toa que ficou conhecida como a Cidade das Bicicletas, mas com o tempo ruas e avenidas ficaram cheias de carros, e os ciclistas, que ainda são muitos, foram perdendo o seu espaço. Mas um movimento contrário já pode ser notado no município com diversas iniciativas que incluem novas infraestruturas e também projetos sociais com a comunidade.

Quando a atual gestão assumiu a prefeitura em 2021, só haviam 20 paraciclos no município e as pessoas amarravam suas bicicletas em postes, árvores e guarda-corpos. Essa falta de estrutura chamou a atenção do Instituto Aromeiazero, que trabalha promovendo a bike para melhorar a mobilidade nas cidades. Nesse mesmo ano, o Aro criou o projeto Pedala Macaé, em parceria com a Ocyan, e em 2022 começaram as conversas com o poder público, que logo rendeu frutos.

“A mensagem de que era necessário acolher melhor a bicicleta para que tudo de bom que ela representa despontasse foi muito bem recebida pela atual gestão municipal. No fim do ano passado foram licitados 900 novos paraciclos para serem instalados em toda a cidade. Sabemos que é só o começo e, por isso, seguimos articulando e mobilizando para ampliar a infraestrutura cicloviária de Macaé”, conta Cadu Ronca, diretor de projetos do Aromeiazero.

Desses 900 paraciclos licitados, mais de 50% já estão instalados e a previsão da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana é de que até o fim de março ou começo de abril todos já estejam servindo à cidade.

“O que chama a atenção é a falta de conhecimento das pessoas pelo equipamento. No Terminal Central, por exemplo, onde fazemos contagem periódica de ciclistas, com uma média de 27 por dia, 12 paraciclos foram instalados e a expectativa é de mais 12, mas há duas semanas só haviam três bicicletas nos paraciclos e o resto estava presa ao gradil. Precisamos lançar mão de políticas públicas para explicar como usar o equipamento para a população”, observa Rui Paiva, coordenador de planejamento da Secretaria de Mobilidade Urbana.

Esse trabalho de educação para o uso adequado dos paraciclos – que vale dizer são todos do modelo U invertido, o mais recomendado por organizações de ciclistas – já está começando. Um banner explicativo e convidando para o estacionamento das bikes está sendo colocado nos bolsões de paraciclos.

Desde janeiro passado, Macaé vem fazendo a contagem automática de ciclistas no centro e nos bairros e esses dados servirão de base para a revisão do Plano de Mobilidade Urbana (PMU), que está em andamento. Atualmente, o município fluminense conta com 28 km de ciclovias e a ideia é aumentar esse número. 

Para tanto, o Aro está articulando desde o ano passado com três vereadores – Iza Vicente, Luciano Diniz e Rafael Amorim –  a criação de uma “frente parlamentar da bicicleta” para melhorar e ampliar o uso da bicicleta na cidade.

“Ver os paraciclos sendo instalados já é uma grande alegria, a cidade está se tornando mais convidativa para a bicicleta, melhorando a mobilidade por esse modal que já é um dos mais utilizados em Macaé”, comemora Renata Cirilo, coordenadora do Pedala Macaé.

O projeto Pedala Macaé promove cursos profissionalizantes, acompanha escolas municipais com oficinas de pedal e implantação de tecnologias ambientais, incentiva projetos locais com mentorias e financiamentos, entre outras ações que contribuem com o desenvolvimento local sustentável, tendo a bike como ferramenta. O Aromeiazero é uma das organizações sem fins lucrativos que faz parte da Aliança Bike.

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Paulo Cabral

Paulo Cabral é jornalista formado pela Universidade de Brasília com anos de experiência em rádio, TV e revistas. Ciclista de passeio, acredita na bicicleta como forma de ocupação sustentável e democrática das cidades.

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