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Cicloturismo brasileiro sobrevive à pandemia e enxerga o futuro com otimismo | Bicicleta News Especial

O turismo mundial foi um dos setores mais afetados pela pandemia. Aviões e navios de cruzeiro viraram sucata, hotéis ficaram fechados e aeroportos em silêncio. O verão de 2020, na Europa e no Brasil, trouxe um leve ressurgimento, mas ainda tímido e doméstico. O cicloturismo acabou mostrando toda a sua resiliência.

Um aspecto importante para a sobrevivência das operadoras de cicloturismo é justamente o formato de funcionamento. São estruturas enxutas que buscam imitar a eficiência das bicicletas. Ao contrário de quem depende de navios e aviões, o turismo em bicicleta depende de equipamentos com um custo relativamente baixo para sobreviver.

Como as operadoras de cicloturismo sobreviveram a pandemia

Impossibilitadas de oferecer seus serviços, as operadoras de cicloturismo tiveram de parar de funcionar por completo entre março e abril de 2020 e novamente em março e abril deste ano.

A paulistana Ybytu, por exemplo, buscou ajuda federal e negociou reduções de salários com os funcionários. Mesmo assim, para manter a empresa aberta, os sócios acabaram se endividando. Tudo para evitar demissões, acabaram assim conseguindo manter 9 dos dez funcionários que tinham.

Com operações nacionais e internacionais e foco em ciclistas novatos, a Ybytu retomou as operações com mudanças na área de atuação. A empresa agora aproveita o aumento no número de novos ciclistas para crescer. 

Também sem renda durante os piores momentos da pandemia, os sócios da catarinense Caminhos do Sertão confiaram na eficiência da sua operação para retomar assim que possível. Com apenas um galpão para equipamentos e veículos, a empresa foi capaz de operar novamente assim que o governo permitiu. 

A Caminhos do Sertão sempre teve como prioridade o cicloturismo no Brasil, para brasileiros. Com o retorno das operações, viu que o seu público, acostumado a viajar em bicicleta no exterior, passou a redescobrir o Brasil. Bastou anunciarem a retomada das atividades que logo os passeios se destacaram.

O consenso é que o otimismo e a retomada plena só virão após a vacinação em massa que dê as garantias sanitárias para o restabelecimento de todos os circuitos. O potencial de geração de empregos e crescimento econômico sustentável precisa da devida atenção das diferentes esferas de governo.

Os principais roteiros de cicloturismo no Brasil atualmente

Para a Ybytu, que atende o público paulistano, a retomada das atividades veio com uma demanda maior pelos circuitos ao redor da capital paulista. Seja no pacote para a família pelo litoral norte, ou no circuito das frutas na região de Itupeva.

Já os catarinenses da Caminhos do Sertão tem como destaque dentre os seus pacotes, o circuito do Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha. O calendário de opções segue aberto, com saídas para o circuito da rota das baleias e até mesmo a Chapada Diamantina.

Um circuito com saídas abertas em ambas as operadoras é o da serra do rio do Rastro e Urubici em Santa Catarina. A popularidade do trajeto catarinense não é por acaso.

Os circuitos de cicloturismo no Brasil

Ainda em 2001, um período de grande popularização da internet, ciclistas se uniram ao redor do Clube de Cicloturismo do Brasil. Movidos pelo desejo de trocar experiências sobre viagens em bicicleta, o clube ajudou imensamente na popularização da prática no país.

Foi por iniciativa do Clube que se criou o primeiro circuito brasileiro de cicloturismo, o Circuito do Vale Europeu. Antes da pandemia, o roteiro atraia entre 2.000 e 4.000 ciclistas anualmente. Pessoas dispostas a pedalar por um trajeto que passa por 9 cidades e pode ser percorrido em 7 dias. Sempre com opções para trajetos parciais.

O sucesso do Vale Europeu acabou atraindo a atenção de outras cidades. Foi assim que nasceram os trajetos da Costa Verde Mar em 2009 e o Circuito das Araucárias em 2012. A criação coletiva dos novos circuitos tinha sempre o impulso dos encontros nacionais de cicloturismo. Oportunidade para cicloturistas novatos e experientes trocarem experiências e pedalarem juntos.

Cicloturismo no Brasil, os primórdios

Antes da criação do Clube de Cicloturismo do Brasil os ciclistas já estavam pedalando pelas estradas brasileiras. E um trajeto na Europa ajudou a definir os rumos do cicloturismo brasileiro, Santiago de Compostela. 

Trajeto de peregrinação religiosa, o caminho de Santiago de Compostela é percorrido desde o século 8. Foi justamente inspirados pela tradição européia, que peregrinos brasileiros criaram o Caminho da Fé e o Caminho da Luz, dois trajetos mais focados em pedestres que não foram pensados para incluir ciclistas. Mas logo os ciclistas aproveitaram os roteiros por estradas de terra para cicloviagens.

Justamente por esse histórico, peregrinar e viajar em bicicleta no Brasil, sempre foram atividades relacionadas. Devagar e sempre, os ciclistas foram então atrás de seus espaços.

Brasileiros e suas voltas ao mundo

Vale destacar algumas personalidades que cruzaram o mundo em bicicleta e ajudam até hoje na popularização do cicloturismo no Brasil. Em comum, a disposição em pedalar o mundo e promover a bicicleta.

Depois de viajar o mundo em bicicleta durante mais de 3 anos e 40 mil quilômetros, Antonio Olinto escreveu um livro sobre a sua experiência. Hoje, Olinto e Rafaela são um casal nômade que vive do cicloturismo e para o cicloturismo. Os dois moram em um motorhome e viajam o Brasil e o mundo mapeando roteiros a serem percorridos em bicicleta. 

O trabalho de Olinto e Rafaela é inspiração para ciclistas autônomos, pessoas dispostas a desbravar as estradas do mundo, uma pedalada de cada vez. A grande inspiração da dupla é justamente a peregrinação. Um ideal de cicloturismo que vai além do entretenimento, busca transformar as viagens em aprendizado e evolução pessoal.

Outro ciclista brasileiro que cruzou o mundo e busca popularizar o cicloturismo é Guilherme Cavallari. Com um editora voltada para a aventura outdoor, Cavallari também publica livros e roteiros para ciclistas dispostos a pedalarem de maneira autônoma pelo Brasil e o mundo.

Vale ainda falar de Argus Caruso, que depois de cruzar o mundo, ajudou na implementação de políticas públicas em favor da bicicleta na sua cidade natal de Niterói, no Rio de Janeiro.

Diversas outras histórias de cicloviajantes do Brasil pelo mundo estão no site do Clube de Cicloturismo do Brasil.

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