USP forma Comitê para melhorar relação com ciclistas no Campus

Diálogo e normas de circulação pretendem diminuir os ruídos causados pela convivência no principal local de treino de São Paulo

A Universidade de São Paulo publicou uma portaria em 6 de fevereiro que formaliza a criação do Comitê de Acompanhamento e Avaliação do Ciclismo Esportivo no Campus Capital-Butantã. Com vigência inicial de um ano, o colegiado foi instituído para monitorar a prática do ciclismo esportivo na Cidade Universitária. A intenção é acompanhar a segurança viária e propor ajustes nas normas de circulação para ciclistas, pedestres e motoristas. O Comitê começa a se reunir ainda este mês.

De natureza consultiva e de monitoramento, o Comitê foi criado pela prefeita do campus, Raquel Rolnik, com base na Resolução nº 8.593/2024 e em deliberação do Conselho Gestor do Campus de dezembro de 2025. É um passo adiante aos trabalhos realizados nos últimos anos. Em novembro do ano passado, um documento foi entregue pelos ciclistas à USP, liderado pela ciclista e vereadora Renata Falzoni e pelas principais assessorias esportivas da cidade, com apoio da Aliança Bike.

“Nossos diálogos com a Prefeitura da USP, através da ex-prefeita Raquel Rolnik, foram corretos, respeitosos e focados em soluções. Desta abertura conseguimos algo inédito: uma virada de página na relação historicamente turbulenta com a USP. A criação desse Comitê será fundamental para escrever as próximas páginas dessa história do ciclismo no Campus”, afirma Renata Falzoni.

Há muitos anos, a convivência é frágil entre ciclistas e os docentes. E, por várias vezes, diretrizes limitaram ou até mesmo interromperam o uso do espaço para a prática esportiva. Atualmente, os ciclistas esportivos tem um horário limitado de treino em pelotões (4h da manhã até as 6h15). O acesso é restrito em algumas vias, como a Subida do Matão.

Entre as atribuições do Comitê estão avaliar a segurança nas vias internas, mediar conflitos entre diferentes usuários e sugerir alterações normativas, fundamentadas em evidências e com dados técnicos coletados ao longo de sua atuação. Em 2024, todavia, foram registrados 11 incidentes no Campus, sendo a maioria relatos de quedas de ciclistas.

Comitê reúne ciclistas e representantes da USP

A composição reúne representantes institucionais, acadêmicos e dos próprios ciclistas:

Representações Institucionais e Acadêmicos

  • Prefeitura do Campus (PUSP-CB): Prefeito(a) (Presidente) e Vice-Prefeito(a) (Suplente);
  • Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária (SPPU): Alexandre da Silva Pereira e Jaci Marcelino dos Santos;
  • Centro de Práticas Esportivas (CEPEUSP): José Carlos Simon Farah e Carlos Bezerra de Albuquerque;
  • Representante Servidor USP: Rodrigo Gonçalves Winther e Regiane Cavalheiro Domingues da Silva;
  • Representante Aluno USP: Carolina Bianchini Bonini e Lucas Randolli;
  • Representante Servidor Prefeitura do Campus (PUSP-CB): Marino Benetti e Ayrton Leite Ferreira.

Representantes dos Ciclistas:

  • Titular: Igor Laguens / Suplente: Marcella Toldi;
  • Titular: Juliana Anaja / Suplente: Lucas Cintra;
  • Titular: Julia Duarte / Suplente: Marcio Berger;
  • Titular: Pablo Galvão / Suplente: André Pellegrini;
  • Titular: Nathalie Rovai / Suplente: André Vianna.

Direitos e Deveres no Campus

jean coloca podcast

Os pelotões continuam bem-vindos na USP, porém, limitados a 12 ciclistas

Segundo a portaria, o Comitê atuará em diálogo com as regras atuais de uso da bicicleta no campus, que seguem diretrizes de convivência harmônica nas vias universitárias e de prioridade às atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Entre os princípios em vigor estão a circulação em respeito aos limites de velocidade definidos para as vias internas, a atenção à travessia de pedestres e a observância das orientações da SPPU e da Prefeitura do Campus quanto aos horários, trajetos autorizados e áreas de restrição.

O credenciamento dos ciclistas e campanhas educativas, contudo, também estão no escopo das discussões. A expectativa é que, a partir do monitoramento contínuo previsto na portaria, o Comitê proponha ajustes nessas normas para reduzir incidentes e organizar a prática do ciclismo esportivo na Cidade Universitária.

Áreas de Proteção ao Ciclismo de Competição (APCC)

apcc são paulo interlagos

Palco de algumas provas de ciclismo, Autódromo de Interlagos pode ser reaberto aos treinos da modalidade

Diferente de outras capitais, a cidade de São Paulo ainda não conta com uma APCC. A USP e a Ciclovia do Rio Pinheiros seguem como os dois principais destinos dos praticantes de ciclismo e triathlon na cidade.

A expectativa é que no dia 30 de março a pista da Ciclovia volte a ser interligada, após a interrupção para a obra do metrô iniciadas em 2013. Foram, portanto, mais de 12 anos de atraso na liberação do bloqueio. Outra aguardada notícia é a abertura do Autódromo de Interlagos aos ciclistas. O assunto segue em tratativas, mas ainda de forma indefinida.

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Pesquisa e Manifesto na tentativa de oferecer mais espaços para o ciclismo de treinamento

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