Shimano Fest 2026: setor da bicicleta se segura e evento foca em agenda de mobilidade

Shimano Fest tem queda de visitantes, mas se segura em expositores e em negócios, em ano de transformação do mercado da bicicleta no Brasil.

A 16ª edição do Shimano Fest, realizada em agosto de 2026 no Memorial da América Latina, em São Paulo, anunciou um movimento de cerca de R$ 80 milhões em volume de negócios. O saldo positivo reflete o malabarismo do mercado nacional para se equilibrar diante de tantas variáveis, desde os altos impostos ao novos hábitos de comportamento do consumidor, passando por uma forte influência das elétricas.

Em um ano de ajustes em diversas empresas, o Shimano Fest sempre funciona como vitrine e termômetro da indústria. Com 150 expositores e 400 marcas presentes, o festival manteve relevância como espaço de lançamento de produtos, realização de negócios e aproximação direta com o ciclista.

Apesar de queda de 15% no público em relação à edição anterior, a movimentação nos quatro dias mostrou interesse sustentado pela bicicleta. Um dos indicadores mais positivos foi o crescimento de 22% no número de bicicletas estacionadas no bicicletário no domingo, que recebeu 6.600 unidades.

Negócios em equilíbrio e visões diferentes do mercado

O volume de negócios do Shimano Fest 2026 cresceu cerca de 5% na comparação com 2025, atingindo aproximadamente R$ 80 milhões. Para Rogério Tancredi, diretor Comercial e de Marketing Latam da Shimano, o resultado demonstra equilíbrio e resiliência em um cenário desafiador.

“Apesar do cenário desafiador que o mercado atravessa, os resultados apresentados pelos expositores mostram um quadro de equilíbrio. Enquanto algumas empresas registraram queda no faturamento, outras superaram suas estimativas e tiveram resultados acima do esperado”, afirmou Tancredi.

Essa diversidade de percepções apareceu nos estandes. Para Sérgio Gallo, da Groove Bikes, o evento superou expectativas, especialmente pela boa presença de lojistas e pelo “glamour” trazido pela estreia do Giro d’Italia Ride Like a Pro Brasil – Edição São Paulo. A presença das bikes com aro 32, sem dúvida, chamaram atenção.

 

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Já Dieter Filho, da Vita Distribuidora, reforçou o papel do festival como vitrine do setor. “É a vitrine hoje para as nossas marcas”, disse, ao lançar a linha de bicicletas de estrada e triatlo da QuickPro, uma das marcas chinesas de alta gama que desembarcaram no país, junto com a X-LAB, que chega com a Julio Andó.

Para Caio Ferreira, da Athor, o Shimano Fest representa também um momento de recuperação da confiança para o segundo semestre. “A gente sentiu aqui os clientes mais animados para o segundo semestre. Para a gente, é um evento que energiza. Voltamos para a fábrica com bastante pedidos e o pessoal fica mais animado.”

Quando o mercado encontra o consumidor

test ride shimano fest

Visitantes, como sempre, pedalaram pelo Memorial (Márcio de Miranda/Divulgação)

Nos dois últimos dias, com a abertura ao público geral, o Shimano Fest ganhou dimensão de grande encontro da comunidade da bicicleta. Pelo Test Ride passaram 4.800 pessoas, reforçando o papel da experiência direta com os produtos.

Somados ao 7º Passeio Ciclístico Shimano Fest & Santuu, com cerca de 4 mil participantes, e ao Giro d’Italia Ride Like a Pro Brasil – Edição São Paulo, com 2.200 participantes, os números mostram que o evento não apenas fala sobre bicicleta: ele coloca milhares de pessoas sobre a bicicleta.

Simpósio amplia agenda para mobilidade 

Luiz Saldanha

Luiz Saldanha (esq.) representou a Aliança Bike nos painéis sobre Elétrias e sobre Cicloturismo (Arquivo)

Outro diferencial de 2026 foi o 1º Simpósio de Mobilidade Ativa, Esporte, Cicloturismo e Empreendedorismo do Shimano Fest, realizado em parceria com o Instituto Aromeiazero e a vereadora Renata Falzoni. Ao longo da programação, o simpósio reuniu mais de 700 pessoas e abriu espaço também para a literatura, com a participação de oito escritores.

A iniciativa, que contou com a presença da Aliança Bike em vários painéis, reforça o papel do Shimano Fest como plataforma de conexão que vai além da apresentação de produtos, incorporando debates sobre mobilidade urbana, turismo, políticas públicas e desenvolvimento econômico.

Solidariedade, cultura e novos ciclistas

Um pouquinh de Japão e da Itália no caldeirão brasileiro da bicicleta (Márcio de Miranda/Divulgação)

A presença do público também se transformou em ação solidária. Com a sugestão de levar alimentos como ingresso, o festival arrecadou 6 toneladas de donativos, destinados a seis entidades assistenciais.

No campo do espetáculo e da cultura da bicicleta, o BMX Flatland e as exibições de Bike Trial de Rodrigo Morais ocuparam espaço de destaque. Para as crianças, a Arena Grom e a Arena Kids ofereceram pump track, atividades de iniciação ao pedal e ações de educação para o trânsito, em parceria com a Escola de Trânsito da CET.

Um setor que não está parado

O Shimano Fest 2026 terminou como retrato de um setor que enfrenta dificuldades, mas não está parado: está se reinventando e revendo estratégias. Crédito caro, inadimplência, mudanças no comportamento de compra e rápida evolução tecnológica impõem novos desafios. Mas a movimentação no Memorial da América Latina mostrou disposição para reagir.

Em um momento de transformação, o mercado continua precisando de um espaço onde possa se encontrar. Mostrar seus produtos, ouvir o consumidor, fazer negócios e discutir seu futuro. É essa conexão entre indústria, mercado, profissionais e públicos que mantêm o Shimano Fest como uma das principais referências do setor da bicicleta no Brasil.

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