Soul Jovem, ano 2

Ainda mais jovem, projeto ajusta rota para continuar o sonho de revelar os novos ídolos do ciclismo brasileiro

30 de março de 2026

A Soul anunciou os 13 novos integrantes do Projeto Soul Jovem para o segundo ano do projeto. O foco agora é ainda maior nas categorias de base, com a missão de moldar ciclistas nascidos em 2008 e 2009, em uma jornada de formação dos novos ídolos do ciclismo brasileiro.

Mais de 600 ciclistas fizeram parte da seletiva, na qual a fase final aconteceu em São Carlos no último final de semana. Foram vários testes diferentes de desempenho até chegar nos dez homens e três mulheres confirmados no time.

soul jovem 2026

Segunda turma do Soul Jovem conta com garotos nascidos em 2008 e 2009

Foco em desenvolvimento

“A nossa ideia é proporcionar experiências e, principalmente, treinamento da parte física e da parte mental, que vão permitir que eles alcancem um outro nível. O projeto quer melhorar a formação no país”, explicou o treinador Ronaldo Martinelli,  responsável técnico pelo desenvolvimento da equipe. Para ele, essa transição precisa ser gradual e, por isso, o foco nos juniores e construindo a base o Sub-23 e, depois, na Elite.

O plano do Soul Jovem é moldar e conduzir um talento ao nível WorldTour, a primeira divisão do ciclismo.

Pegar uma turma mais jovem apostando em um elenco Júnior, é um dos aprendizados do projeto em relação ao perfil da primeira turma. “A ideia é pegar uma garotada ainda mais crua e ir incutindo ali o aprendizado do que consideramos ideal para o desenvolvimento completo”, diz Martinelli, que prevê uma sequência de encontros (training camps) ao longo ano, combinado com as principais provas do calendário nacional.

Testes físicos e simulações

treino soul jovem

Os parâmetros fisiológicos tiveram valor fundamental na seletiva

Na fase decisiva da seletiva, os ciclistas já tiveram um gostinho do que terão pela frente. Foram três dias de testes físicos, começando com potência — teste de 1 minuto e FTP em 12 minutos —, seguidos de análises de endurance e VO2 estimado. “No segundo dia, fizemos um teste de 5 minutos, depois eles foram rodar entre 1h30 e 2 horas e refizeram o teste de 5 minutos”, detalhou Martinelli.

A programação incluiu rodagens longas, simulações de competição, duelos e trabalho em grupo. O encerramento teve uma crono de 6 a 7 km e provas de 1h30 para meninas e 2 horas para meninos. “Essa abordagem testa não só desempenho, mas também resistência e tática em cenários reais”, explica.

Com apenas 13 nomes escolhidos, entre eles, o campeão brasileiro Júnior, Fábio Braga, a sensação é sempre de estar deixando escapar algum talento. “O plano eram 10 ciclistas, o André acabou topando estender para 13 selecionados. Foi duro. E posso garantir para você que muitos dos garotos que não entraram ainda vão dar muitas alegrias ao ciclismo brasileiro. É uma base muito boa”, avalia Ronaldo.

Confira o nome dos ciclistas selecionados:

  1. Fábio Braga Júnior
  2. José Henrique Nascimento
  3. Pietra Arvelos
  4. Heloisa Cardoso
  5. Pyetra Cruz
  6. Ivan Souza
  7. Igor Arantes
  8. João Trinck
  9. Arthur Corbani
  10. Pedro Meneguetti
  11. Kaic Nunes
  12. Pedro Parente
  13. Vinicius Moreto

Paixão e viabilidade de mercado

Do lado institucional, Gustavo Zorzo, diretor de marketing da Soul, justificou o apoio como uma combinação de paixão pelo esporte e necessidade de crescimento sustentável. “Para a gente, como marca, a importância é primeiramente porque a gente gosta muito de ciclismo. Eu mesmo sempre acompanhei e o André também gosta bastante”, disse Zorzo, citando o CEO da marca, André Maior, que conversou com a Aliança Bike sobre o Soul Jovem no ano passado.

zorzo soul jovem

Zorzo (dir) conversou com os jovens ciclistas na grande final

Zorzo cita dois grandes exemplos de nomes que já ocupam essa posição de ídolos do ciclismo: Henrique Avancini, uma autoridade no MTB e agora uma referência também no ciclismo de Estrada. E a jovem revelação Henrique Bravo, que neste início de temporada, com a equipe de Desenvolvimento da Soudal-Quick Step, conquistou três vitórias que tiraram o Brasil de uma longa fila.

“Quando a gente tem ídolo no esporte, o esporte todo acaba crescendo. A gente já viu exemplos na natação, no tênis com o Guga, no boxe com o Maguila”, exemplificou. Para ele, isso beneficia todo o ecossistema, ampliando vendas e conscientização sobre o ciclismo. “Todo nosso amor pelo ciclismo também precisa ser refletido no consumo. É uma via de mão dupla e que nós também idealizamos nesse projeto”.

Menos Bélgica, mais intercâmbio

soul jovem equipe

A Soul Jovem priorizou proximidade neste ano, evitando estadias longas na Bélgica para melhor acompanhamento. “A gente optou esse ano, a princípio, em não ir para a Bélgica ou não ficar um período tão longo lá, justamente para assisti-los melhor”, contou Martinelli. Outras formas de intercâmbio com o calendário europeu, entretanto, ainda estão sendo finalizadas.

Zorzo reforça, contudo, que a escolha por júniores dá mais tempo para o trabalho: “Eles têm mais tempo pela frente para a gente moldar o profissionalismo e construir a ‘carcaça’ necessária para competir internacionalmente”.

Impacto cultural além das pistas

Uma das apostas de um projeto de longo prazo é também na cultura do esporte. “Nosso foco é que o Brasil não seja apenas o país do futebol para sempre! E, com isso, portanto, a gente está trabalhando para tentar mudar, mesmo aos pouquinhos, a cultura do Brasil. O que inclui, assim, respeito no trânsito, mais segurança e por ai vai”, afirmou.

Leia também: Equipe Soul Extreme Racing absorve parte da 1ª turma do Soul Jovem

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