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Avancini: visão profissional para a Localiza Meoo/Swift

Campeão mundial no MTB, Avancini chega com processos e disciplina para moldar crescimento da única equipe brasileira UCI.

Henrique Avancini chegou e é difícil separar sua presença do novo momento que vive a Swift Pro Cycling, agora denominada Localiza Meoo/Swift Pro Cycling. A grande estrela do ciclismo brasileiro vestiu a camisa do time, se tornou embaixador da Sense e trouxe junto um novo padrão profissional que já começa a chamar atenção dentro e fora da estrutura. Mais investimento e o desejo de desenvolver profissionalmente o esporte tanto quanto a cultura da bicicleta.

Apesar de um salto visível, entretanto, o status da equipe segue o mesmo: UCI America Tour. O que isso significa?

Os rankings Continentais (Ásia, América, Europa, África e Oceania) formam a terceira divisão do ciclismo mundial, abaixo das ProSeries (ProContinentais) e das 18 equipes WorldTour, o topo da pirâmide. Ser uma equipe UCI é o primeiro passo para um projeto mais organizado e profissional; tudo que está fora dessas três categorias é tratado como clube ou equipe regional amadora.

Embora exista hoje mérito esportivo de acesso e descenso, o que separa de fato essas divisões é o orçamento: no masculino, equipes WorldTour gastam em média 33 milhões de euros por ano, contra cerca de 9,5 milhões das ProSeries e algo entre 500 mil e 1,5 milhão de euros das Continentais.

UCI: globalização e novos mercados

Essa divisão de níveis atual ganhou forma nos anos 2000, em um movimento da UCI para organizar o calendário, torná-lo mais global e criar uma jornada mais clara e segura até o auge da modalidade: disputar o Tour de France. Acredite, hoje é muito menos confuso e político do que já foi outrora.

Ao voltar à estrada depois da aposentadoria no MTB, Henrique Avancini deixou claro o desejo de correr uma grande volta. Ao se juntar ao projeto da equipe Localiza Meoo/Swift, ainda que a longo prazo, ele reforça essa ambição. No time, há consciência de que esse caminho passa por muitas etapas e não admite atalhos. O primeiro deles é ser profissional. “Quem sabe o time profissional que eu procurava está aqui?”, refletiu Henrique Avancini em entrevista ao Gregario Cycling.

avancini brasil swift

Avancini volta ao ciclismo brasileiro e vai pedalar com uma Swift Race Vox. Gravel também no calendário

Status também para as provas

Assim como as equipes, as provas também têm status: as formações WorldTour têm vaga garantida nos eventos WorldTour, como Tour de France, Giro d’Italia e Paris-Roubaix; já as ProSeries entram por convite, normalmente quatro ou cinco por corrida, desde que entre as 30 melhores do ranking por equipes. Abaixo do WT estão as provas “.Pro”, “.1” e “.2”, seguidas das corridas não UCI ou regionais.

Equipes WorldTour não podem competir abaixo da categoria “.1”, enquanto as continentais não correm provas WorldTour. Por isso, a Localiza Meoo mira convites para eventos de classe 2.1, como o Tour de Ruanda, em fevereiro, onde Avancini deve estrear com o time. Para correr uma prova categoria “.Pro”, uma equipe continental precisa fazer parte do programa “Passaporte Biológico”, algo que está sendo estudado pelo time brasileiro.

Henrique Avancini estreia com a Localiza Meoo/Swift Pro Cycling em Ruanda, mesmo lugar onde encerrou a temporada passada, no Campeonato Mundial de Estrada

Brasileiros no ranking UCI

O Brasil entrou pela primeira vez no ranking em 2007, com Memorial/Santos e Scott/São José dos Campos abrindo caminho. Depois, vários projetos chegaram a esse status, com o auge em 2014, quando quatro equipes nacionais figuraram no ranking, em um cenário com mais provas válidas no país.

O país chegou duas vezes ao nível Pro (2009 e 2015), mas não conseguiu se firmar, principalmente por problemas de conduta fora da estrada, e não pelo desempenho esportivo.

Tradicional no ciclismo brasileiro, Ribeirão Preto passou a integrar o ranking UCI em 2019, ainda como São Francisco Saúde/Ribeirão Preto, conquistando resultados importantes, como vitória de etapa na Volta a Chloe, no Chile, e pódio na geral da Volta do Uruguai.

Com a pandemia, o projeto quase acabou, mas a Swift, então fornecedora de bicicletas, entrou para mantê-lo vivo, episódio lembrado com emoção por Henrique Ribeiro e Nildo Guedes na apresentação do novo time em Nova Lima.

Desde 2022, rebatizada como Swift Pro Cycling, a equipe disputa as principais provas das Américas, com bons resultados na Argentina, Colômbia e Uruguai; em 2024, a S2 Bikes transferiu o controle para a agência Heatmap, com a missão de reforçar a captação e a estrutura, mantendo o vínculo com Ribeirão Preto.

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João Pedro Rossi, atual campeão brasileiro de contrarrelógio está na equipe desde 2019, primeiro ano de registro UCI

Rodar o mundo para subir

Mesmo sem abrir os dados financeiros, Henrique Avancini menciona que o orçamento da equipe em 2026 aumentou 50% com a sua chegada. E já tinha aumentado com a chegada da Localiza Meoo. Estima-se que o time esteja dentro da média das demais equipes continentais.

Vários patrocinadores que ajudaram o time a se manter nas últimas quatro temporadas ganharam reforço com projetos incentivados. Marcas fortes como Shimano, Nomad, Oakley, Fizik, Continental, Liquidz, Motul e SIS (Science in Sport). VivaBio e Start.bet também estão nesse barco.

Esse apoio é fundamental para o time cumprir a estratégia de estar presente nos cinco continentes (Argentina, Ruanda, Uruguai, Portugal e EUA já confirmados). As vitórias ainda não são o principal objetivo. Apesar de um grupo bem equilibrado entre jovens e experientes ciclistas.

Evoluir os processos, reconstruir a credibilidade com trabalho e fomentar a cultura do ciclismo no Brasil são as prioridades. Dentro e fora do pelotão, a sensação é de que o caminho está traçado – e de que o projeto tem lastro para chegar onde se propõe. A presença de Henrique Avancini é um indício inseparável disso.

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