“As baterias são seguras. E delicadas”
A Aliança Bike conversou com Spartacus Pedrosa, diretor-executivo da ITEMM, Instituto de Tecnologia Edson Mororó Moura. O Instituto trabalha no estudo e desenvolvimento de sistemas de acumulação de energia em parceria com a Moura, empresa brasileira de rápida associação com as baterias automotivas.
“A gente hoje usa energia pra tudo e uma grande parte dessa energia está acumulada. E uma das principais formas de acumular energia é na forma de baterias. Então, é nisso que o instituto se dedica há 13 anos”, explica Pedrosa, que trabalhou no desenvolvimento da bicicleta elétrica da Moura, a Ella.
Na conversa que pode ser acompanhada no Youtube ou no seu player de podcast preferido, Spartacus Pedrosa deu dicas sobre o melhor uso das baterias de lítio, explicou os principais riscos e os motivos pelos quais notamos alguns incidentes e o futuro desta tecnologia.
“Eu sou usuário e fã da bicicleta elétrica, e como todas as tecnologias, infelizmente, têm alguns riscos associados. Assim como celulares, laptops e carros elétricos, as bicicletas geralmente usam baterias de lítio. E, em todos estes exemplos, já ouvimos casos dela pegar fogo”
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Segundo Spartacus, isso acontece em um percentual baixíssimo. E dentro desta estatística, os problemas em geral estão entre o carregador e a bateria. É deste contato onde surgem as principais falhas que fazem o sistema entrar em combustão.
“É importante enfatizar que o sistema não colapsa sozinho, por si só. Contudo, ele exige um cuidado ao colocar carga, ao expor aos choques, à água e ao calor também. E, principalmente, na hora de tentar arrumar tudo isso”, explica.
APRENDIZADO E EVOLUÇÃO
No Brasil, como os próprios números da Aliança Bike apontam, o mercado de bicicletas elétricas está avançando e com muito potencial de crescimento. Porém, Spartacus Pedrosa afirma que podemos aprender muito com países onde o segmento já está mais estabelecido, como China e Europa.
“Na China, há dezenas de milhões de equipamentos autopropelidos com baterias: motos elétricas, scooters, bicicletas elétricas. Então, lá acontece de tudo. Gente que tentou fazer ele próprio sua bateria. Teve quem tentou recondicionar a bateria, comprou as células e tentou fazer uma ligação. Enfim, tentam posterizar a vida da sua bateria. Usam carregadores que não são homologados”, iniciativas que causam incêndios e não devemos repetir aqui.
SEGURANÇA COM BMS
Um dos esforços do ITEMM é tornar as baterias mais seguras. E isso passa por aprimorar uma tecnologia já existente e essencial: o BMS (Battery Management System). Em português, o Sistema de Gerenciamento das Baterias tem como principal missão garantir as condições de segurança da bateria. Ele avisa a hora de carregar e o momento de suspender o fornecimento. Tanto quanto avisa alguma anomalia nas células e sua vida útil.
“Aprimorar essa tecnologia embarcada é ponto central do desenvolvimento de baterias”
O FUTURO DAS BATERIAS
Entre inúmeras dicas sobre transporte, descarte, recarga e as variáveis deste processo, Spartacus também apontou o futuro das baterias, enfatizando duas inovações muito promissoras. A bateria de sódio e a de lítio sólido.
“No caso das de sódio, em termos da cubagem, digamos assim, ela não chega a ter uma vantagem tão representativa frente ao lítio, até porque o sódio é maior do que o lítio. Agora, já as de estado sólido, que veremos ainda nessa década, são mais seguras e mais compactas. Será uma nova camada tecnológica”.
SUSTENTABILIDADE E REUSO
Ponto importante da conversa também foi a Sustentabilidade e o Reuso das baterias. Principalmente, quando elas passam a atender também veículos mais robustos como carros, ônibus e até caminhões.
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Para Spartacus, as baterias atuais se aproximam de uma cadeia fechada, onde os produtos ‘inservíveis’ voltam ao fabricante e são reciclados. “Isso já acontece com as baterias de chumbo e, do ponto de vista tecnológico, já é possível fazer com lítio. E há várias empresas fazendo”.
“Ainda é mais barato extrair minerais do que reciclar. Então, ainda é um processo de amadurecimento, do ponto de vista econômico. Mas, com uma série de regulamentações, esse é um caminho lá na frente”, conclui.