Rota do Ferro registra pico de histórico de passagens
O recorde de ciclistas em um mesmo dia é o principal resultado da segunda medição eletrônica realizada na Rota do Ferro, em Minas Gerais. O traçado idealizado sobre o leito de uma estrada de ferro desativada entre Sabará e Santa Bárbara registrou 378 passagens no dia 18 de janeiro (sábado).
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Entre os dias 5 de janeiro e 5 de fevereiro, todas as viagens de bicicleta na trilha entre Sabará e Santa Barbara foram registradas pelo Contador Eletrônico, uma iniciativa da Aliança pelo Cicloturismo, que reúne a Aliança Bike, a Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, o Observatório do Cicloturismo/Instituto Planett e o Sacis/Eco-Counter.
No total foram contabilizadas 2.793 passagens em 2025. O número é menor do que o registrado no ano passado, quando foi constatado 3.912 passagens no mesmo período.
“Ter essa análise nos mesmos períodos (janeiro) é fundamental para compreendermos cada vez mais não apenas o comportamento de ciclistas nestas localidades, mas fatores que possam gerar mais ou menos fluxo, como chuvas e eventos ciclísticos”, diz Luiz Saldanha, diretor-executivo da Aliança Bike.
Saldanha, que participa do projeto Aliança pelo Cicloturismo desde o início completa: “Quando aprofundamos nas estratificações do perfil horário, os dias de maior movimentação e a comparação entre os períodos analisados anteriormente quanto ao fluxo de dias úteis e de finais de semana, conseguimos gerar maiores reflexões para entender a variação de uso da rota”.
CONTADORES ELETRÔNICOS
Esse é o terceiro ano que a Aliança pelo Cicloturismo realiza contagens por circuitos de cicloturismo tradicionais do país. O Caminho da Fé (SP), o Circuito do Vale Europeu (SC), a Floresta Nacional de Brasília (DF), o Caminho de Cora Coralina (GO) e a Volta das Transições (MG) estão entre os monitorados.
A Rota do Ferro agora se junta ao grupo que já recebeu o contador por mais de um ano, criando uma robustez maior na análise dos números obtidos. Atualmente, o Contador faz sua segunda passagem pela Volta das Transições, na serra mineira de Ibitipoca.
SAIBA MAIS SOBRE AS CONTAGENS:
SOBRE A ROTA DO FERRO
O acesso à Rota do Ferro é fácil e pode ser feito pedalando de Belo Horizonte, são 21 km a partir do centro da capital até o início do trajeto. Ao aproveitar o leito ferroviário, não há grandes subidas. São 80 km em um “plano inclinado” (a altimetria total é de 600 m). Por isso, o roteiro é considerado de baixa dificuldade. É possível fazer em um dia ou programar pernoite.
Sabará, ponto de partida da rota, é uma cidade histórica e muito simpática. O trajeto também passa por Caeté, onde está o Santuário de Nossa Senhora da Piedade. Pelo caminho, muita natureza, belas paisagens e marcas da antiga estrada de ferro, como pontes de ferro e túneis.
TRILHAS SOBRE TRILHOS
A Rota do Ferro é um exemplo vivo do potencial de transformação de trilhos abandonados em trilhas para mountain bike, cicloturismo e caminhada, com intervenções mínimas e muito contato com a natureza.
O Brasil tem mais de 8 mil quilômetros de trilhas abandonados com enorme potencial para o turismo sustentável e inclusivo. E uma das respostas mais interessantes para esse “problema” está aí, na Rota do Ferro, como explica abaixo Daniel Guth, da Aliança Bike, logo após visitar o roteiro no ano passado.