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Estudo da ECF coloca ciclismo em destaque na COP21

01/12/2015 16h24 - Atualizado em 01/12/2015 16h26

   












A European Cyclists Federation – ECF desenvolveu um estudo indicando que, se o número de pessoas que utilizam bicicletas fosse maior do que o número de pessoas que utilizam carros, a diminuição da emissão global de dióxido de carbono por transportes urbanos poderia ser de cerca de 10%. Além disto, a substituição dos automóveis por bicicletas geraria uma economia de até US $ 25 trilhões no custo da infraestrutura em 2050.

"Andar de bicicleta é um meio fundamental de transporte para milhões de pessoas ao redor do mundo", disse o presidente da Union Cycliste Internationale – UCI, Brian Cookson. "Estamos muito satisfeitos por ter co-financiado este relatório que demonstra que, se mais governos seguissem bons exemplos - como os Países Baixos e a Dinamarca - para fazer suas cidades melhores para o ciclismo, veríamos um enorme aumento na qualidade de vida, menores emissões de carbono e redução nos custos de transporte ".

O aumento na demanda de adeptos ao ciclismo exige também uma mudança na infra-estrutura das grandes capitais - que estão muito mais adaptadas ao uso de automóveis - e a implementação de leis que priorizem quem opta por pedalar como meio de locomoção.

O estudo analisou quase 1.000 cidades de todo o mundo para estabelecer, pela primeira vez, os níveis globais de ciclismo. Os autores descobriram que, em média, 6% de todas as viagens foram feitas de bicicleta, variando de cerca de 1% na América do Norte e Austrália, para cerca de 25% em muitas cidades da Holanda, China e Japão. Em 2030, dadas medidas políticas mais eficazes, o ciclismo poderia chegar a 11% da demanda global de viagens e 14% até 2050, poupando a emissão de toneladas de dióxido de carbono no processo.

A apresentação destes resultados na COP21 será crucial para direcionar maior atenção ao ciclismo e gerar futuros investimentos em políticas climáticas e de desenvolvimento.

Baseado em índices da Agência Internacional de Energia, o estudo delineia o provável aumento na necessidade de transportes urbanos, resultado da expansão da população mundial, que, na metade do século, deve chegar a pelo menos 9 bilhões, dos quais 70% viverão em grandes cidades. Este aumento populacional deve engajar a crescimento da quantidade de pessoas que optam por caminhar ou pedalar como principal meio de locomoção.

A visão pessimista do futuro em que o ciclismo perde terreno para a condução em carros ou ônibus em muitas cidades ao redor do mundo não tem necessariamente de se tornar realidade. Para que isto não aconteça, precisa-se de investimento em melhores condições para o ciclismo, como a integração do ciclismo com os transportes públicos, um planejamento mais rigoroso do uso das vias, além da contenção da utilização de automóveis particulares.

Para testar o efeito deste futuro alternativo, um segundo “cenário de alta para o ciclismo" foi desenvolvido, com base em cada região, atingindo níveis de ciclismo comparáveis ​​aos que já foram alcançados em muitas cidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, isso significaria cerca de 9% das viagens feitas de bicicleta em 2030, dos quais quase a metade viria de um aumento no uso da bicicleta elétrica.

Com grandes mudanças no cenário ciclístico, a emissão de dióxido de carbono por transportes públicos em todo o mundo até 2050 poderia sofrer uma redução de até 46%. Sozinho, o ciclismo seria responsável por 10% desta diminuição - mais de um quinto do total de emissões. O restante seria resultado de mudanças nos transportes públicos e no dos automóveis. Atendendo à necessidade de novas estradas principais e estacionamentos, e garantindo a manutenção da infra-estrutura existente para acomodar o crescimento previsto do tráfego rodoviário, cerca de USD 25 trilhões poderiam ser economizados.

 

Traduzido e adaptado de: Bike Europe